Dezoito de março marcou a passagem, no Brasil, do Dia da Imigração Judaica. Criada por lei federal em 2009, a data comemora a contribuição do povo judeu para a cultura brasileira. Nessa quinta, a Assembleia promoveu um Grande Expediente Especial para celebrar a trajetória dos judeus, sobretudo em Pernambuco, desde o primeiro fluxo migratório ao Recife no Século 17. Faz parte do legado judaico no Estado a primeira sinagoga das Américas, a Kahal Zur Israel , localizada na Rua do Bom Jesus, no Recife Antigo. Líderes nacionais da comunidade participaram da reunião, a exemplo do rabino americano Joseph Edelheit.
A iniciativa de homenagear a comunidade israelita partiu do deputado Bispo Ossesio Silva, do PRB. A cerimônia foi presidida pelo deputado Diogo Moraes, do PSB, que ressaltou a contribuição dos judeus ao desenvolvimento de Pernambuco. Presidente da Comissão de Assuntos Internacionais da Alepe, Bispo Ossesio Silva afirmou que os israelitas são um grupo étnico singular. “É um povo inteligente, um povo de uma cultura totalmente diferenciada, é um povo que chega em todos os lugares deixando sua contribuição.”
O coordenador de Comunicação da Federação Israelita de Pernambuco, Jader Tachlitsky, agradeceu o gesto da Assembleia e a importância do acolhimento de várias gerações de judeus no Estado: “Estamos aqui já na quarta geração de judeus pernambucanos, bisnetos dessa geração que vem há pouco mais de cem anos atrás. Então, para nós, é motivo de muita satisfação.”
O rabino Joseph Edelheit, atualmente morando no Rio de Janeiro, afirmou que o Brasil está ensinando ao mundo o que significa acolher aqueles que não têm outro lugar para ir. Ele também ressaltou que o Recife foi o primeiro lugar das Américas a dar boas vindas aos judeus refugiados. Liana Feldman, psicóloga do Colégio Israelita, é neta de judeus do Leste Europeu perseguidos pelo império czarista no início do século 20. Segundo Liana, os estudantes têm contato, desde cedo, com a literatura que descreve episódios de antissemitismo ao longo da história. “Eles ficam muito mexidos emocionalmente porque isso gera uma identificação com as pessoas que foram perseguidas, inclusive avós que ainda são vivos e bisavós que relatam perseguições tanto aqui no Brasil quanto no exterior.”
A influência judaica no Brasil teve início antes da chegada da frota de Pedro Álvares Cabral, no fim do século 15, quando judeus espanhóis e portugueses foram obrigados a se converter ao cristianismo, sob pena de expulsão da península ibérica. O censo demográfico do IBGE de 2010 apontou que 107 mil judeus residem no Brasil.
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